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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pereira da Viola e Wilson Dias Show Dois RiosO encontro das águas que cantam
Os violeiros, Pereira da Viola e Wilson Dias juntam seus talentos no espetáculo “Dois Rios”, o encontro das águas que cantam que será apresentado no Rio de Janeio, dia 11 de dezembro, na Sala Funarte Sidney Miller. Em única apresentação na Capital Carioca, o show “Dois Rios” pode ser considerado uma metáfora do curso, do percurso daqueles rios e da origem, do crescimento e da trajetória dos dois artistas que, a rigor, tem as mesmas raízes, o mesmo berço. Além de suas raízes comuns, alimentadas pelas águas dos rios Jequitinhonha e Mucuri, os dois artistas trazem uma forte herança familiar marcada pela vivência rural e pela musicalidade ligada às manifestações tradicionais, tanto religiosas, quanto profanas. São, portanto, vozes semelhantes e ao mesmo tempo diferenciadas, temperadas, cada uma a seu modo, pelos ritmos e danças, pela sensibilidade e pela história de vida e artística de cada um deles. Nasce desta bem sucedida mistura de elementos afros e indígenas uma sonoridade forte e inconfundível. O show terá participação especial da bailarina Patrícia Sene, cujo estilo busca interpretar o universo mítico e plástico das danças, ritmos e ritos presentes nas manifestações populares. É com esta mistura de águas, de sentimentos e de estilos, que os violeiros, cantores e compositores Pereira da Viola e Wilson Dias celebram e compartilham com o público a alegria da festa, a saudável sensualidade da dança e do espírito lúdico, principais características das manifestações populares.
Não percam!!!

Informações: Sala Funarte Sidney Miller Rua da Imprensa, 16 - Térreo - Centro - RJ
Telefone: 21 2279-8104 Bilheteria: a partir das 15h30 (os ingressos serão vendidos apenas no dia do show) Valor dos Ingressos: R$ 5,00 (inteira) / R$ 2,00 ("meia") Horário dos Shows: 19h Censura: Livre

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dona Mathilde promove vernissage de arte naïf no próximo dia 10
A casa, com capacidade para 300 pessoas, aos poucos confirma o caráter de nova “vila madalena” da zona oeste com eventos que promovem a cultura paulistana
O Dona Mathilde Snooker Bar & Betting Point promove, no dia 10/12, a partir das 20h, vernissage com a artista plástica Thais Ibañez. A artista, que tem obras expostas em museus da Europa, América do Norte e Brasil, irá apresentar toda a brasilidade de sua arte em estilo naïf, com uma mostra de cerca de 15 obras, entre seu acervo de cerca de 100 obras. Os quadros que não forem vendidos na vernissage ficarão em exposição permanente. Excepcionalmente na ocasião a casa não irá cobrar entrada.
“O foco principal da minha arte é a valorização da cultura brasileira. Procuro representar nas minhas pinturas as mais intensas manifestações do meu povo, que são a música, a dança, o artesanato e tudo que faça parte do Folclore Brasileiro”, explica a artista, que utiliza cores vivas que representam o clima tropical e o calor humano brasileiro, fazendo de sua arte uma fonte de alegria a olhos vistos.
A intenção da casa com mais este evento, que, sob nova direção há um ano, já vem investindo em música ao vivo, é ser uma opção de espaço para a manifestação da cultura paulistana, promovendo artistas que levam diversão e beleza aos freqüentadores da “nova vila madalena” da zona oeste, a Vila Pompéia.
A festa será regada pela boa música do tecladista Almir Lopes, que toca o melhor da música das décadas de 70, 80 e 90, às terças, quintas e domingos, e que preparou um repertório bem brasileirinho especialmente para ocasião.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Victor Jara mais vivo que nunca

Como uma verdadeira festa da memória e da vida pode se descrever o funeral de Víctor Jara realizado em Santiago de Chile no sábado 5 de dezembro. "Víctor, estás mais vivo que nunca" gritou alguém expressando o sentimento da multidão no inicio do colorido e multitudinário cortejo, que em seu recorrido pela capital fez florescer Santiago com canções e bailes. O cantor regressou nessa tarde ao ninho em que foi enterrado solitário faz 36 anos por sua viúva, Joan Jara, em seguida a seu assassinato por militares que permanecem na impunidade.
Mas dessa vez entrou rodeado pelo amor de seu povo, que proclamou seu direito a viver em paz e demanda agora justiça para o crime. É o que reconheceu Joan Jara ao expressar em sua despedida: "Após sua horrorosa morte se congelou o tempo e nossa memória guardou para sempre intactos as recordações de uma vida compartilhada abraçadas por seu carinho, ternura e alegria de viver. Suas canções nos ajudaram a suportar sua ausência, hoje seu corpo destroçado pela tortura e o metal voltará à terra envolto no amor de suas filhas e de sua mulher, e no enorme amor de seu povo".
À cabeça da marcha esteve a Juventude Comunista, protagonista de uma jornada na qual grande parte dos presentes eram também jovens que junto com os mais velhos cantavam em coro cada uma das canções de Víctor durante as quatro horas que durou o percurso desde a Praça Brasil, onde se encontra o Galpão Víctor Jara, até o Cemitério Geral. Não houve deslocamento de força policial nem provocação alguma de parte de carabineiros, outro fato inusitado que permitiu que as famílias com bebês e crianças pequenas pudessem continuar o trajeto sem problemas, o que não ocorre no Chile em nenhuma outra manifestação de rua nem muito menos nas marchas de comemoração do 11 de setembro, nas quais o gás lacrimogêneo termina sempre afogando os manifestantes.
Emoção pura
Nessa tarde, as lágrimas não eram por causa do gás. Era emoção pura, nascida de escutar, por exemplo "eu não canto por cantar", o hino de Víctor entoado por milhares de vozes (uma estimativa fala de 12.000 participantes e carabineiros de 6.000) em marcha cruzando a ponte do rio Mapocho atrás da carroça carregada de flores, ou de ver a estrela branca gigante e as cores da bandeira chilena levadas por dezenas de jovens com os corpos pintados por inteiro de vermelho, branco ou azul. Houve artistas conhecidos e desconhecidos, grupos musicais famosos e conjuntos de favela. Muitos artistas de violão em punho cantavam no meio da marcha.
Nas esquinas do centro se aglomeravam transeuntes para ver passar esse funeral com cuecas, murgas, dançarinos de diabradas nortistas vestidos inteiramente de vermelho, dançando ao som de uma banda que tocava "Plegaria a un labrador", enquanto mais atrás outros manifestantes cantavam A Internacional como despedida a Víctor Jara, o que ressoava como um canhão, pois cada grupo a entoava num ritmo diferente.
Viram-se - a 8 dias das eleições presidenciais e parlamentares - cartazes apoiando a candidatura a deputado de Guillermo Teillier, Presidente do Partido Comunista que ia no cortejo junto com o candidato presidencial de Juntos Podemos Jorge Arrate. Eles traziam para o presente eleitoral a rua povoada de história, mas também tiveram que escutar consignas pedindo para anular o voto, e fez-se presente uma columa do Movimento dos Trabalhadores e do Povo (MPT). Gritos pela liberdade dos presos políticos mapuches e lenços pedindo o fim da lei antiterrorista, desfraldando bandeiras mapuches ou da wiphala andina também se fizeram ouvir.
Organizações como as dos ciclistas, ou Os de Baixo (a barra brava do clube esportivo da Universidade do Chile), e o Comitê bolivariano de Solidariedade com a Venezuela se misturavam em colunas variadas com as agrupações de ex-presos políticos, de familiares de detidos desaparecidos e de executados; a brigada Ramona Parra, organizações da cultura, e muitas outras entidades sociais e políticas.
Enterro camponês
Três dias durou o funeral e em cada hora desfilaram pelo galpão da Praça Brasil centenas e centenas de pessoas a render sua homenagem a Víctor Jara, franqueado por uma guarda de honra que se ia relevando permanentemente para permitir às organizações expressar sua solidariedade ativa. Numa experiência inédita para a comunicação popular, o Señal 3 de TV da favela La Victoria transmitiu ao vivo o velório e o funeral, junto com ol incipiente canal comunitário que se está formando na Fundação Víctor Jara (
http://fundacionvictorjara.cl/) com seu apoio.
As pericias feitas em julho desse ano pelo juiz Juan Eduardo Fuentes determinaram que ele foi assassinado com 44 impactos de balas no crânio, tórax, abdome, pernas e braços, depois de ser torturado. Os resultados foram conhecidos pela família só em novembro. Comunicadores próximos à Fundação me contaram que quando Joan Jara recebeu os restos do artista revelou que ela e Víctor tinham o compromisso de que se qualquer dos dois morria antes, teria um funeral como se faz no campo, onde duram três dias, e que seria muito alegre, com música e danças. À cabeça da fundação que leva o nome de Víctor Jara, Joan decidiu cumprir a promessa e brindar a seu companheiro a homenagem que merecia, para mostrar que Víctor na verdade está vivo. Y para mostrar que todos ainda, estamos vivos.
Certamente o há logrado.
Lucia Sepúlveda Ruiz é jornalista chilena
Fonte:
Rebelión
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domingo, 6 de dezembro de 2009

Circo Laheto garantiu o lado cultural da Feira do Troca de Olhos D'Água - GO!
Apesar da chuva que não é surpresa no Troca de Dezembro, a Feira do Troca acontece, a pesar da falta de atenção e apoio por parte da secretaria de cultura e turismo da prefeitura municipal de Alexânia, ela acontece!
Prova disso, foi esta edição que começando pela falta de divulgação e programação cultural inadequada, mas que foi salva pelo Circo Laheto, que troxe além do seu belíssimo espetáculo Goiás no Picadeiro "que conta a história de Goiás através do circo", e proporcionou varias oficinas de técnicas circenses para as crianças que fizeram uma festa, e os adultos se encantaram e aprenderam um pouco mais sobre as origens goianas, no que se refere ao artesanato os artesãos deram outro espetáculo trazendo uma produção rica em variedade, originalidade e na beleza das peças, valeu apena encarar a chuva, que esteve presente como de costume no mês de dezembro.
A Feira do Troca acontece. O encontro semestral que já se tornou a Feira do Troca de Olhos D'Água, teve a descontração que é uma característica do troca, quem pôde aproveitou o maximo e fez boas trocas, em todos os sentidos, por que? o que mais importa no troca, é o encontro entre arte, cultura e pessoas assim se da o troca.

Esperamos que a próxima seja realizada de forma que arte e cultura tenham um tratamento mais adequado, a feira do troca já ultrapassou a condição de uma feira de troca por artesanato, e já se tornou um importante e tradicional evento cultural região e a cima de tudo fonte de renda importante da população de Olhos D'Água, que asegura a permanência das pessoas no lugar, onde nasceram e querem ver seus filhos terem a chance de continuar vivendo ali. o artesanato é o produto principal da região e deve ser valorizado e para isso a feira do troca tem de ser tratada com muita atenção.
Mas valeu o esforço!
Feira do Troca









Artesanato























Circo Laheto Espetáculo Goiás no Picadeiro "que conta a história de Goiás através do circo"... (Veja mais Sobre o Circo Laheto!).









Beirão autor da trilhara sonora do espetaculos com Cilene criadora do Maracupiara Jaboti-Bumbá do Acre













Oficina de técnicas circenses

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

73ª Feira do Troca de Olhos D'Água-GO
De 4 a 6 de Dezembro de 2009

Neste final de Semana acontece mais uma edição da tradicional Feira do Troca em Olhos D'Água, um encontro entre arte, cultura e pessoas especiais que trocam muito mais que o belo artesanto do lugar, se trocam e se tocam na mais completa descontração e alegria para todas as idades para quém esta disposto a uma boa troca vai ter de tudo artesanato local, atrações culturais, e concerteza uma ótima opção para o final de semana, para quém não conhece Olhos D'Água, é, lugar muito aprazivél que guarda seu ar interiorano e se transfoma na feira do troca, que duas vezes ao ano, sempre no primeiro domingo de junho e dezembro espontaniamente é tomada por pessoas que já conhecem a feira e tem um encontro marcado com a arte e cultura do lugar.
Programação
Dia 04/12 19: horas
-Espetaculo Goias no picadeiro
-Cinema Voador
Shows
Mendes, Marcos e Gilmar do Teclado
-Banda Tracks
Dia 05/12 19: horas
-Espetaculo Goias no picadeiro
-Cinema Voador
Shows
-Caique e Cadu
-Marcos Henrique e Santiel
Dia 06/12 07: horas
-Feira do Troca
-Espetaculo Goias no picadeiro
Veja mais!
Tião Carvalho canta João do Vale em shows na Caixa Cultural Rio
A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta o show “Tião canta João” com uma seleção especial da obra do compositor João do Vale, na interpretação de seu conterrâneo Tião Carvalho, nos dias 11 e 12 de dezembro. No repertório a diversidade de ritmos que abrangem a carreira dos dois artistas: xotes, baiões, sambas, bumba-meu-boi, tambor de crioula.

Canções consagradas como “Matuto transviado (Coronel Antônio Bento)”, “Peba na pimenta”, “A voz do povo” e “Carcará” compõem o repertório ao lado de outras pouco conhecidas como “Baião de viola”, “Os óio de Anabela”, e “Todos cantam sua terra”.
Um dos grandes nomes de expressão da cultura popular brasileira, com dois CDs solos lançados, Tião Carvalho participou de grupos musicais de grande importância na divulgação da MPB dançante como a banda “Mexe com Tudo” e a banda Mafuá. Diretor e fundador do Grupo Cupuaçu, realiza desde 1990, no Morro do Querosene, São Paulo, as festas do Bumba-meu-boi, (nascimento, batizado, e morte do boi).

O maranhense Tião Carv
alho já se apresentou ao lado de grandes artistas como Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, Cássia Eller, João do Vale, Sivuca, Hermeto Paschoal, Naná Vasconcelos, Dinho Nascimento, Barbatuques, Renato Anesi, Emerson Boy, Paulo Moura, Klauss Viana, Na Ozetti, entre outros. Teve sua música “Nós” gravada nas vozes de Cássia Eller, Na Ozzetti e Simone.

Banda
Tião Carvalho: Voz e percussão
Marquinhos Mendonça: Cordas
Renata Amaral: Baixo
Felipe Soares: Acordeom
Dudu Marques: Bateria
Cacau Amaral: Percussão
Mariana Bernardes: Cavaco


Dia 11 - Participação especial: Rita Ribeiro

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro de ArenaEndereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro-RJ (Metrô: Estação Carioca)Telefones: (21) 2544 4080/ 2544 1099

Datas: 11 e 12 de dezembro de 2009.Horário: 19h30
Entrada Franca
Retirar ingressos uma hora antes do início do espetáculo. Sujeito à lotação do espaço.
Classificação Livre
Acesso para portadores de necessi
dades especiais.
João doVale
João Batista do Vale nasceu em Pedreiras, MA no dia 11 de Outubro de 1934. Foi o quinto de oito irmãos, dos quais apenas três sobreviveram à infância pobre. Os pais eram agricultores pobres e sem terra. Por volta dos seis anos de idade foi apelidado de "Pé de Xote", pois vivia pulando e dançando. Um de seus avós fora trazido de Angola como escravo e posteriormente fugiu. Chegou a perder, apesar de ser um aluno dedicado, a vaga no Grupo Escolar Oscar Galvão para dar lugar ao filho de um coletor de impostos. Auxiliava nas despesas da casa, vendendo balas, doces e bolos que a mãe fazia. Com 12 anos mudou-se com a família para São Luís, onde trabalhou vendendo laranjas nas ruas. Nesse período participou do Noite Linda, um grupo de bumba-meu-boi, como fazedor de versos, o chamado "amo". De 14 para 15 anos fugiu de casa, indo de trem para Teresina, onde conseguiu emprego como ajudante de caminhão. Fazia viagens entre Fortaleza e Teresina. Um dia viajou até Salvador e resolveu ficar por lá, por estar mais perto do Rio de Janeiro, para onde tencionava ir. Mais tarde foi para Minas Gerais, onde trabalhou como garimpeiro na cidade de Teófilo Otoni, e obteve dinheiro para a sonhada viagem à então capital da República. Foi para o Rio de Janeiro de carona em caminhão e arranjou emprego de pedreiro em Copacabana, numa obra na Rua Barão de Ipanema. Trabalhava e dormia na obra, visitando periodicamente as rádios, principalmente a Nacional, à procura de artistas que gravassem suas composições. Mostrava suas músicas a muitos artistas, inclusive à cantora Marlene e a Tom Jobim, que naquela época tocava piano num inferninho em Copacabana.João do Vale era analfabeto, mas compôs inúmeras músicas de extremo valor para o universo popular como: "Peba na pimenta" (com João Batista e Adelino Rivera), gravada por Ari Toledo; "Pisa na fulo" (com Ernesto Pires e Silveira Júnior), gravada pelo próprio; "Uricuri", "Minha História", "Sina de Caboclo", por Nara Leão; "A Voz do Povo", por Alaíde Costa; Aruera" (com Alventino Cavalcanti e J. Cândido), "O Canto da Ema" (com Aires Viana/ A. Cavalcanti), "Pé do Lajeiro" (com José Cândido/ Paulo Melo), "Na Asa do Vento" (com Luiz Vieira), "Pipira" (com José Batista) e "Forró do Beliscão" (Ary Monteiro). João do Vale faleceu em São Luís, MA, no dia 06 de dezembro de 1996, infelizmente, no anonimato e na miséria.
Fonte: Pôr do Som

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

VACINA ANTI-HIV: MITO OU REALIDADE
Há pelo menos duas décadas, a busca de uma vacina para a Aids é um dos grandes objetivos da biomedicina. Até agora, muito esforço foi feito, mas o avanço ainda é lento. Mariza Morgado, chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e atual vice-diretora de Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Instituto, discutiu os desafios no desenvolvimento de uma vacina anti-HIV durante o Simpósio França Brasil, na Fiocruz. A pesquisadora traçou uma retrospectiva dos protocolos em andamento na comunidade científica internacional para elaboração de uma vacina. Atualmente, existem mais de 50 protocolos em curso, mas a maioria ainda no estágio inicial do processo, no qual é verificada a segurança do protótipo. Um número menor atingiu, ao longo de duas décadas, a fase dois de estudos, quando é verificado se o produto induz a uma resposta imune. Apenas três projetos alcançaram a fase seguinte (IIb e III), que consiste em testes de eficácia: um primeiro na década de 1990 e outro concluído em 2007 (ambos abandonados pela inconsistência dos dados), além de um último com resultados apresentados recentemente, em 2009. Entre as dificuldades encontradas para produção de uma vacina eficaz, Mariza apontou alguns aspectos. O primeiro é que o HIV é um retrovírus, capaz de se integrar ao material genético do hospedeiro, o que impossibilita o uso do vírus atenuado para a produção de vacina. Outras características são a grande variabilidade e a capacidade de recombinação do vírus, impedindo o sistema imune de montar uma resposta. O fato de não existirem pacientes curados também é outra barreira, pois não permite detectar os agentes de imunidades associados à proteção contra o vírus. Em 23 de setembro deste ano, foi anunciada uma vacina com 30% de eficácia contra o HIV, desenvolvida numa cooperação entre os governos da Tailândia e dos Estados Unidos. O trabalho reuniu um total 16 mil pessoas, divididas em dois grupos, para participar de um protocolo de vacinação com quatro doses. Deste total, foi verificado cerca 30% de proteção. Os resultados oficiais deste protótipo de vacina foram detalhados durante a Conferência de Vacinas da Aids, em Paris. “É muito difícil manter um protocolo com grande número pessoas e garantir que todos cumpram todo o processo de vacinação. Os cálculos de precisão serão realizados somente após a publicação destes dados e então saberemos qual é a eficácia de fato. Mas esta pesquisa sinaliza uma vantagem no sentido de que foi a primeira vez que se mostrou algum nível de eficácia como este ou, pelo menos, uma diferença no número de infecções entre os indivíduos vacinados e aqueles que receberam placebo. No entanto, não foi observada nenhuma diferença quanto à carga viral plasmática nos dois grupos”, avaliou Mariza.A bióloga destaca outro ponto importante no debate sobre uma vacina anti-HIV: os protocolos em curso buscam a não evolução da doença no indivíduo infectado, já que uma vacina capaz de evitar a infecção, que ocorre por diversas vias, ainda é um objetivo distante de ser alcançado. “Se o indivíduo tem uma resposta imune capaz de estancar a passagem do vírus para outra célula, isso faz com que o sistema imune fique pouco comprometido. E com isso não se desenvolveria a doença”, explicou. Mapeamento dos tipos brasileiros O isolamento do HIV tipo 1, na década de 1980, realizado por pesquisadores do IOC, marcou o ingresso do Brasil no cenário internacional de pesquisa em Aids. O feito alavancou estudos que priorizam o aumento da qualidade de vida dos pacientes que vivem com o vírus. Parte deste trabalho é desenvolvida no Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do Instituto, que atua no mapeamento dos vírus circulantes em todo o país, bem como no monitoramento da capacidade dos indivíduos infectados reagirem a antígenos. ”Já identificamos vários subtipos circulantes do HIV nas diversas regiões brasileiras e a variabilidade destes vírus, o que é importante para avaliar a resposta imune dos indivíduos infectados. Numa perspectiva futura, este levantamento poderá gerar subsídios para potencializar a eficácia de uma vacina no país”, disse Marilda.Aids no BrasilDe 1980 a junho de 2008, foram notificados 506.499 casos de Aids no país. Segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos. Os índices da doença são crescentes no Norte e Nordeste. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por Aids, de 1980 a 2006.
Pâmela Pinto
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias
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